Numa de suas obras, Nietzsche escreveu: “nada percebemos de injusto, quando a diferença entre nós e outro ser é muito grande, e matamos um mosquito, por exemplo, sem qualquer remorso” (Humano, demasiado humano. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 63). Nesse conciso pensamento, podemos encontrar a descrição precisa de um traço humano, demasiado humano, que ao mesmo tempo revela muito do que há de pior nos indivíduos de nossa espécie. Sem dúvida, é um fato bem intrigante que a imensa maioria das pessoas em todo o planeta não hesitaria um segundo sequer antes de esmagar uma formiga (sobretudo, se esta lhes houvesse picado) ou uma barata avistada a passear por sobre as panelas e alimentos em sua cozinha, ao passo que um número menor de pessoas seria capaz de matar um cão com a mesma consciência tranquila, sendo ainda menos numeroso o conjunto daqueles dispostos a matar um chimpanzé, sem remorso algum, pelos motivos mais banais que justificam nossos atos de inseticídio.
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Ideias podem transformar uma pessoa numa barata esmagável sem a menor sombra de remorso. O holocausto dos judeus sob o nazismo é um exemplo emblemático disso. Outro triste exemplo, bem mais corriqueiro, o Brasil inteiro pôde testemunhar recentemente.
| — | Do texto “O pior de cada um de nós” (via bulevoador) |








